Seguro de Crédito: muito além da proteção contra a inadimplência
Escrito por: Horiens - 21/09/2026
No artigo anterior, abordamos como o atual cenário econômico tem aumentado significativamente o risco das vendas a prazo. Recuperações judiciais, recuperações extrajudiciais, falências, restrições de liquidez e margens cada vez mais pressionadas fazem com que a gestão do risco de crédito deixe de ser apenas uma preocupação do departamento financeiro e passe a ser um tema estratégico para toda a empresa.
Nesse contexto, surge uma pergunta bastante comum: afinal, o que é o Seguro de Crédito?
De forma bastante objetiva, o Seguro de Crédito é uma solução destinada às empresas que realizam vendas a prazo e desejam proteger seu fluxo de caixa contra o risco de inadimplência de seus compradores.
Em outras palavras, ele permite que a empresa continue desenvolvendo seus negócios com maior segurança, reduzindo o impacto financeiro caso um cliente deixe de honrar suas obrigações.
A cobertura normalmente contempla eventos como:
- inadimplência prolongada
- insolvência do comprador
- recuperação judicial
- recuperação extrajudicial, quando prevista nas condições da apólice
- falência ou outras situações que demonstrem a incapacidade de pagamento do devedor
Na ocorrência de um evento coberto, a seguradora indeniza, em regra, até 90% do crédito segurado, preservando o fluxo de caixa da empresa e reduzindo significativamente as perdas financeiras decorrentes da inadimplência.
Conheça os principais mitos sobre o Seguro de Crédito
Entretanto, limitar o Seguro de Crédito à sua indenização é enxergar apenas uma pequena parte de seu verdadeiro valor. Ao longo dos anos, alguns mitos acabaram sendo criados em torno desse produto.
- Seguro de Crédito é apenas para exportadores
O primeiro deles é que o Seguro de Crédito seria destinado apenas às empresas exportadoras. Embora sua utilização tenha começado com forte atuação no comércio internacional, atualmente o mercado brasileiro conta com soluções específicas para operações domésticas, protegendo empresas que comercializam exclusivamente dentro do país.
- É uma solução cara
Outro equívoco bastante comum é acreditar que o Seguro de Crédito possui um custo elevado. Na prática, o prêmio corresponde a um pequeno percentual aplicado sobre o faturamento segurado e, em muitos casos, representa um investimento significativamente inferior ao prejuízo decorrente da inadimplência de um único cliente relevante.
Como o faturamento informado na contratação é uma estimativa, as seguradoras normalmente estabelecem um prêmio mínimo calculado sobre aproximadamente 80% desse faturamento projetado. Essa sistemática busca equilibrar a exposição assumida pela seguradora, sem onerar desnecessariamente o segurado caso o volume efetivamente faturado seja inferior ao inicialmente previsto. Ao final da vigência da apólice, é comum que seja realizada a apuração do faturamento efetivamente segurado, permitindo os ajustes previstos nas condições contratuais.
- Só faz sentido para grandes empresas
Também é comum ouvir que o Seguro de Crédito é uma solução exclusiva para grandes corporações. Essa realidade mudou. Hoje existem produtos voltados para empresas de diferentes portes, desde médias empresas até grandes grupos econômicos, sempre considerando o perfil da carteira de clientes e o volume das vendas a prazo.
- O Seguro de Crédito só entra em cena quando ocorre um sinistro
Mas talvez o maior equívoco seja imaginar que o Seguro de Crédito começa quando ocorre um sinistro. Na verdade, ele começa muito antes.
Antes mesmo da primeira venda ser realizada, a seguradora passa a acompanhar a carteira de compradores, analisar riscos, atribuir limites de crédito, monitorar continuamente a saúde financeira dos clientes e emitir alertas sempre que identifica alterações relevantes em seu perfil de risco.
Em outras palavras, trata-se de uma ferramenta de gestão que busca evitar o prejuízo, e não apenas indenizá-lo.
É justamente esse aspecto, pouco conhecido por grande parte das empresas, que transforma o Seguro de Crédito em um importante instrumento de inteligência financeira e gestão de riscos.
No próximo artigo desta série, abordaremos um dos maiores diferenciais desse produto: como as seguradoras monitoram milhões de empresas no Brasil e no exterior e de que forma essas informações ajudam seus segurados a tomar decisões de crédito mais seguras e a evitar vendas que, muito provavelmente, nunca seriam recebidas.
Carolina Pirajá é Executiva de Seguros e Gestão de Riscos Corporativos e Partner de Novos Negócios da Horiens